A treliça e a videira

“Alguns falavam a respeito do templo, como estava ornado de belas pedras e de dádivas. Então Jesus disse: ‘Vocês estão vendo estas coisas? Virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada’.” (Lucas 21.5-6)
Em Lucas 21, alguns discípulos admiravam a beleza do templo judaico. Mas Jesus os surpreende: “dias virão em que não ficará pedra sobre pedra”. Ele não falava apenas da destruição do edifício, mas de um sistema religioso baseado em ritos, lugares e merecimentos humanos. Algo maior estava para acontecer: ele mesmo seria entregue, morreria e ressuscitaria, abrindo para nós uma vida nova diante de Deus.
Essa nova vida muda tudo. Não vivemos mais sob o peso da obrigação, mas como agraciados, caminhando ao lado do Criador. O fardo se transforma em privilégio. É essa alegria que move a missão: compartilhar com outras pessoas a esperança que só Jesus dá.
Jesus, porém, nos alerta: “Todos odiarão vocês por causa do meu nome. Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá. Perseverem e vocês ganharão a vida” (Lc 21.17-19). Seguir a Cristo não é fácil, mas ele garante sua presença fiel. O incômodo que geramos não vem de sermos diferentes nas opiniões, mas de já não aceitarmos viver como se fossem necessários intermediários ou ritos especiais para chegarmos a Deus. Em Cristo, somos livres.
O livro “A Treliça e a Videira”, de Payne e Marshall, nos ajuda a enxergar a vida da igreja com clareza. A treliça é a estrutura: programas, funções, tradições. A videira é a vida de Cristo, que cresce quando pessoas são cuidadas, discipuladas e aprendem a andar com ele. A treliça é necessária, mas se não houver videira, ela se torna peso morto. Quando a videira cresce, então a treliça encontra sentido e valor.
