Meditação da semana: As batatas no porão

Quando penso no Tema do Ano da IECLB, “Cuidar da Criação de Deus”, imagino muitas formas de cuidar de si, do outro e do ambiente. Percebo, também, que independente do cuidado que há ou mesmo na ausência dele, a vida insiste e persiste de um modo que, às vezes, pode parecer sem explicação. Em encontros comunitários recebi muitas mudas de plantas: de capuchinho, de lavanda, e outras plantas ornamentais. Plantamos todas num canteiro. Eu fiquei tão feliz, quando pude colher e comer as flores da “minha capuchinho”!
Depois de um longo tempo, enquanto buscava inspiração para escrever esta mensagem, decidi visitar o canteiro e percebi que lhe faltei com o cuidado. Senti muito. As plantas seguiam ali, meio que sofrendo, em meio às outras que cresceram por conta. Inços e plantas pareciam lutar pelo mesmo espaço. Lembrei da história das batatas que ficavam no porão da casa de Carl Rogers*. O porão era inóspito, escuro e frio, mas elas brotaram mesmo assim. Ele percebeu que elas investiram esforços na direção de uma fresta de luz.
Esta história fundamenta uma crença rogeriana: todo organismo vivo tem uma tendência para crescer e se desenvolver, independentemente das condições mais adversas. Acreditar nessa tendência do ser humano e de toda a criação, não nos exime da tarefa do cuidado e de proporcionar que toda vida prevaleça. Lembro da pergunta de Jesus a Bartimeu (Mc 10.51): “O que queres que eu te faça?”. Jesus bem sabia que ele queria deixar de ser cego, mas era importante que Bartimeu elaborasse o seu desejo. Ele disse: “Eu quero ver de novo”. As plantas não falam, mas eu pude sentir que necessitavam de cuidado. Então, ontem e hoje, eu fui ao canteiro.
*Carl Rogers (1902- 1987), psicólogo norte-americano, narra a experiência no livro “Um jeito de ser” (1980), onde explicita sua filosofia de vida e a sua abordagem terapêutica.
Oração
Deus Criador, que possamos ser pessoas libertas dos porões escuros da adversidade e acessemos a luz da vida, mediante o ato de cuidar dos seres vivos e da natureza que nos destes. Por Jesus Cristo, que se fez nosso irmão. Amém.
Pa. Cláudia Patrícia Schaidhauer Pacheco
Paróquia Evangélica de Confissão Luterana São Miguel em Dois Irmãos
